Nossa Voz #1021 #Regenerações

Lia Vainer Schucman entrevista Mônica Gonçalves Mendes

Hospital de campanha no Estádio do Pacaembú. São Paulo, 2020. Foto: Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo

Bom, para entender este processo, é preciso entender o que é a saúde. Para isso, compartilho aqui meu entendimento sobre os processos que estão envolvidos no que habitualmente chamamos de saúde e sobre como a saúde acontece (ou deixa de acontecer) para as pessoas e grupos sociais.

Aproximadamente duas décadas atrás, surgiu um bordão que dizia que cada um é o que come. É verdade, somos mesmo o que comemos; mas somos também o lugar onde nascemos, as condições desse lugar (saneamento, acesso à água potável, etc). Da mesma forma, somos o tempo que demoramos para chegar ao trabalho e…


Nossa Voz #1018

Leda Cartum para Elisa Kauffman Abramovich

Campanha de Elisa Kauffman Abramovich no jornal Nossa Voz, 1947. (Acervo ICIB/ Casa do Povo)

Temos que acreditar nos fantasmas. Eles também existem. Pelo menos para nós, que conhecemos a Casa do Povo.

Nesses andares amplos e livres, em meio às paredes nuas e por entre os tacos do chão, tanta história repercute que é difícil frequentar a Casa e não perceber passar, de vez em quando, algo ou alguém que parece assombrar o ambiente ao redor. Muita gente — vinda sobretudo de um Leste que não existe mais, fugindo de países cujos nomes já mudaram e se fundiram com outros — chegou até aqui. Pessoas que muitos de nós nem conhecemos; várias delas morreram…


TAIB 60 anos

Lilian Starobinas

Plateia no teatro TAIB. (Acervo ICIB/Casa do Povo)

“O TEATR foi o nome escolhido para denominar este modesto boletim. Caberá à nossa geração, dentro da paisagem agreste, desbravar, deitar raízes e fazer crescer este auditório que o nosso teatro espera para se fazer completar. E quando o mesmo estiver concluído, completaremos a denominação de nosso boletim, ou seja O TEATRO”.¹

Pouco mais de um ano antes da inauguração do Teatro de Arte Israelita Brasileiro — TAIB — vemos registrado, no boletim para divulgar as atividades teatrais do Instituto Cultural Israelita Brasileiro (ICIB), a união de esforços para finalizar as obras do sonhado auditório, que até aquele momento não…


Nossa Voz #1014

A conversa a seguir aconteceu na casa do poeta e dramaturgo Odmar Braga, no município de Paulista, em Pernambuco, na qual o autor nos contou a história da chegada dos judeus marranos¹ no Brasil — a passagem dessa tradição ao longo dos anos, os conflitos e resistências, na memória, nos costumes e na poesia ladina. Texto originalmente publicado da edição de 2014 do jornal Nossa Voz.

Vaqueiro do sertão tocando Buzo — instrumento feito com chifre de boi utilizado para diversos tipos de toques, dentre eles o Tekiá, toque fundamental da liturgia judaica, cuja origem se perdeu no sertão, apesar de continuar fazendo parte do repertório dos vaqueiros.

Os Judeus Marranos

Odmar Braga: Eu vejo a cultura judaica como um caleidoscópio. Não vejo a necessidade de repensar este termo. Hoje, antes de mais nada, se faz necessário preservar a cultura judaica por todos os meios. Acima de tudo, a educação, a integração e aceitação do outro como ele é, independentemente de qual origem judaica se tenha e como se expressa essa cultura. Independentemente das diversas melodias, temos a harmonia de um único canto.

É como pensar que comunidade judaica, enquanto tal é plural, mas sua cultura é uma só, no final das contas.

É. Afinal de contas, para se rezar certas rezas, como a Amidá, são necessários dez homens. Mas, cada homem reza por si só apenas. Ou seja, não importa…


Nossa Voz #1019

Guilherme Giufrida e Jéssica Varrichio

Ciro Miguel, Meteorito, 2018¹

“Quantas vezes uma coisa pode morrer?” — Eleonora Fabião

Nós, museu do louvre pau-brazyl, um projeto artístico-curatorial independente, agimos pelas margens, lutamos pela liberdade de criação e pela invenção de novas estratégias de existência; por que estamos aqui? Porque acreditamos na construção de bases sólidas para a prática institucional. Porque acreditamos na preservação da memória e dos arquivos. O recente incêndio do Museu Nacional nos faz pensar sobre os sentidos de um museu em tempos de crise do Estado e dos financiamentos para a cultura. Essa questão diz respeito a todos nós, é urgente, é uma pauta que não pode…


Nossa Voz #1020 #Comum

Binna Choi e Annette Krauss

Exercícios de desaprendizagem n.3 “Faxina coletiva”, realizado por Annette Krauss e a equipe do Casco Institute em 2014. Foto: Annette Krauss

Em vez de fazer arte, história da arte, crítica de arte e curadoria como normalmente entendemos e praticamos essas atividades, o Site for Unlearning Art (Art Organization) [Local para desaprender arte (Organização de arte)], a equipe do Casco e a artista Annette Krauss vêm se “ocupando” das diferentes estruturas do Casco e como elas funcionam dia após dias. Essas estruturas organizacionais muitas vezes invisíveis e não questionadas se tornaram tema de nosso foco coletivo, ao passo que também experimentamos diferentes maneiras de trabalhar junto. …


Nossa Voz #1020 #Comum

Nas últimas duas décadas, o conceito de “comum” ganhou certa fortuna bibliográfica. Commonwealth, de Toni Negri e Michael Hardt, foi um ponto de inflexão, mas o “comum” aparece de muitas outras formas — em Silvia Federici, em relação ao feminismo, ou em Fred Moten e Stefano Harney, em relação ao racismo, mostrando a amplitude e a plasticidade do conceito. Você, como editor filósofo, tem tido um papel importante na difusão desse conceito aqui. Você pode nos narrar, a partir da sua perspectiva, como ele aportou no Brasil?

A recepção brasileira da noção de comum, e também sua disseminação no pensamento político contemporâneo, responde ao colapso de imagens excessivamente unitárias, homogêneas ou coletivistas. A aspiração a uma comunidade outra não cabe mais nesses formatos caducos. De fato, o fracasso do socialismo real, a inépcia da representação política, o enrijecimento do jogo partidário suscitaram a necessidade de repensar as modalidades de laço social. Mas, para alguns, há razões mais profundas. Certas mutações no modo de produção pós-fordista, em que se requisita a cooperação dos cérebros, a sensorialidade alargada, a afetividade, a inventividade coletiva, teriam redesenhado a ideia do comum…


programação suspensa no ar ✺ semana 14

Perguntas para Sarah Feldman

Barbeiro. Reportagem “Judeus sem dinheiro”, Revista O Cruzeiro, 12/01/1946. Peter Scheier / Acervo Instituto Moreira Salles

ao longo das últimas semanas trouxemos aqui diferentes relatos sobre o que tem acontecido na casa do povo e fora dela durante o contexto de pandemia. essa “programação suspensa no ar” passou a ser uma forma breve e um tanto livre de pensar alto e em muitas vozes. dar passagem a novas e inconclusas gramáticas que já existem no corpo, ainda que sem nome claro. …


programação suspensa no ar ✺ semana 12

as semanas se sucedem mas não se parecem. não podemos nos acostumar com o bombardeio cotidiano de notícias falsas, provocações, ameaças e desmontes. a Casa do Povo é um centro cultural apartidário, mas não apolítico. foi erguida por uma frente antifascista da comunidade judaica nas ruínas da segunda guerra mundial. testemunhar, 74 anos depois da sua fundação, a proposta de enquadrar como terrorista uma simples hashtag #antifa (como se houvesse alguma organização central por trás), ora denuncia quem fez tal proposta como fascista, ora soa grotesco — talvez ambos.

nos últimos anos, a nossa atuação tem acontecido em uma esfera…

Casa do Povo

A Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória. www.casadopovo.org.br

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